domingo, 26 de junho de 2011

Olimpo


O sorriso lá estava como um enigma.
Cravejado em tua face, um estigma!
Em teus olhos - Oh! – quanta vida,
No meu peito, muitas e muitas feridas.

A quem temo eu, se não a ti e teu sorriso?
Sincero, torturador e inciso.
Esta contenda que causas a meu ser,
Faz do orgulho tão pequeno e a raiva perecer.

O cálice de amor que me deras,
Transforma-me de Atenas em Hera,
Teu sorriso, meu Olimpo, minha morada!
Perfeitamente situado entre faces coradas.

Confessarei minha agonia, antes que dela padeça.
Não há nada sob o sol, que a mim mais entristeça,
Que ver teu rosto esmaltado,
Dentre as lágrimas situado.

GuerREIro


Espadas pesam no orgulho.
Golpes me acertam a alma,
Completamente alheio, feito entulho.
Meus olhos perderam a calma.

Sequer sei onde errei, e se foi em vão?
Procuro entender por que estanquei,
Com meus olhos cegos não vejo a razão,
Quando descobrir, onde estarei?

Num corredor vazio, repleto de portas,
Tento passar por todas elas.
E nenhuma delas a chave comporta,
Ficarei só, observando, guardando. Sou boa sentinela?

O que me define? O que faço?
Me retenho ou desfaço?
Trancafiada está minha esperança!
E a vida é só lembrança.

Não gostei do que vi, onde estive.
Ainda assim caminhei.
Quem à angústia sobrevive,
Cultiva o segredo de ser Rei.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Estatuária


Escureci, e névoa se espalhou,
Estático, como sempre estive.
Espiando meus pecados no espelho.

Espectro do que se esperava,
Esquivo de sua essência.
Escudeiro da experiência!

Espectador alheio e especioso.
Espreitando a morte do esplendoroso,
Esperançoso de que irá estancar.

Espartano de espírito!
Esmorecendo pela estrada.
Espada em punho e coroa de esmeralda.

Esfacelo a alma, estarrecida.
Escuto a indagação da Esfinge,
Esmagando minha mente estremecida.

Estorvo, meus olhos estonteiam.
Estupor, que atinge como estrepe,
Esvaeço meu ser, preciso de estepe.

Estilhaços recompostos pela espátula.
Estigmas, pelo tempo estampados.
Estéril, infértil. Sou uma estátua!

Bom dia


Hoje acordei assim, um pouco de mundo, um pouco de mim.
Pensando onde já estive e por que parei aqui - é o fim?
Na esquina sombria da alma, com uma indagação!
Eu, que já foi príncipe e vilão. Estou estático, sem ação.

Todos os dias quando acordo, sou novo e sou velho.
Uma antítese sobre pernas, que sonha e deseja,
Nego-me e aceito, esse é o meu evangelho.
Traio meus antigos sonhos por novos, e que assim seja.

Descubro em mim, as melhores armas para usar na guerra.
Escondo os pré-conceitos; O medo caí por terra.
E desta forma, desvaria e inconsequente vou me recriando
Em territórios nunca dantes desbravados, estou caminhando.

Hoje acordei assim, um pouco menor, um pouco maior.
Diminuí em minha descrença, indiferença, na dor e ilusão.
Aumentei minha coragem, sabedoria, alegria e valor,
Tomei-me uma peça rara, de minha própria coleção.

Todos os dias quando acordo, sou futuro e passado,
Um verbo conjugado em duas direções, lado a lado
Eu que sempre expiei meus pecados, sobre o pó
Estou me sentido cinza, estou me sentindo só.

Descubro em mim, a melhor arma para contratempos:
Amar meus erros, pois deles me farei mais amável.
Estou entendendo, de vagar, que para tudo existe o tempo.
E aos poucos, como grãos semeados; Estou me tornando inabalável.

sábado, 21 de maio de 2011

Senhor Marinheiro


O que dizes marinheiro,
Em teu convés derrama água?
Seja forte guerrilheiro,
Não te afundes em mar de mágoas.

Abra as velas, sob o astro escandaloso,
Permita que o vento abrace tua causa,
Esqueças por um instante vosso calabouço
Experimente as ondas, ame-me sem pausa.

Prenda-me, com o forte braço, em tua haste.
Eu estarei flutuando no céu. Extasiada.
Senhor marinheiro, que em minha vida comandaste!

Se achates conveniente, lance-me ao mar,
Um grande peixe será minha morada,
Todavia, saiba meu senhor, não é pecado amar.

Antes que a maré me tenha, permita-me confessar,
Calarei meus sussurros, não sei se o que digo agrada:
Foste tu o único marinheiro, em minhas águas navegar.

sábado, 14 de maio de 2011

Brancura


Não há o que escrever,
Minha mente está calada.
Dialogou anos a fio,
Jamais disse nada.

Fagulhas povoam o inferno de palavras.
Elas vagueiam sob a fumaça,
Não consigo ver.
Perdi-me na névoa, a astúcia está escarça.

O choro de nada me servirá.
Tampouco toda sabedoria que acumulei,
Consenti à bruma me envolver.
Agora, que estou cego e mudo, ouvirei.

A menina


Ela tem graciosidade, salpicada de vaidade.
Sorri envergonhada, com maçãs enrubescidas.
Está farta, aflita, com a mente em embate,
Porém, continua afoita, sozinha. Tão pobre, tão covarde.

Pede licença, para caminhar entre a multidão.
Mal percebe que está só, e diminuta como um anão,
Sendo sufocada pela respiração de outrem,
Entretanto, persevera constrangida, abatida. Sem asas, sem chão.

Ela chora, silenciosamente, como um rio.
Desespera-se com a verdade de seus olhos,
Sente-se perdida, enraivada, feito fogo em pavio,
Contudo, assente a dor, engole a fúria. Não há velas, não há navios.

Tem olhos dentro do espelho; Estes não lhe pertencem.
Leva a mão aos secos lábios, onde a alma emudece,
Seu olhar é dúbio, de esguelha e tristonho.
Todavia, sobrevive; Faz bater o coração. Tão sozinho, tão enfadonho.