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"Palavras lançadas ao vento se perpetuam na alma. Palavras gravadas a punho se perpetuam na mente."
Thaís Milani
O doce do tempo, passa ao seu sabor. Correr ao vento, sem sofrimento. Ser sincero e tocar o amor. Brincar de crescer. Aprender a viver. O sangue, o choro e o seu inventor. Andar de mãos dadas, correr nas calçadas. Ouvir chamar e não dar valor. Ser inocente. Displicente, sem perder o calor. Pular corda, de forma singela. Aos poucos surgem portinhas e janelas. Meninos, meninas, eles e elas. Escrever na terra, amigos para sempre. Recriando uma fala, para que todos se lembrem. Quão doce é a inconstância Quão leve e suave é a infância. Esconde-esconde, a infelicidade. Suba alto, veja toda cidade. Corra rápido, atrás do seu sonho. Pule amarelinha, sem medo de ser enfadonho. Fazer a casinha? É ver o futuro. Traçar uma linha, criar um muro. Rir da roupa, que possuí um furo. Ter na cintura, o bambolê. Roubar a bola e gritar: Olê. Cortar o cabelo, com as próprias mãos. Ousar e arriscar, ouvir um sermão. Quão amável é ser aprendiz. Estar na escola, tocar o giz. Ter no peito, um imenso coração. Chorar e gritar, ao escutar não. Rir, ao ver um curioso bichinho. Ter medo e soluçar baixinho. Segurar a mão, com toda força. Passar um batom e sentir-se moça. Olhar o pai, e desafiá-lo. Correr atrás do sopro e não apanhá-lo. Ser príncipe e ter um castelo. Ser cavalheiro e lutar com um martelo. Ver-se princesa, em um belo vestido. Trazer nos olhos um segredo incutido. Quão belo é viver qualquer circunstância. Quão delicioso é viver a infância.
Há um grande edifício Abrigado em meu olhar Não há nos rosto indícios Nem alugueis a se cobrar
Tantas ruas já andei, Sem ter onde morar Muitas delas provoquei, E outras tantas ei de causar.
Mergulhei nas moradias Tão salobras e tão frágeis Alimentei dia após dia Com angústia ou risos ágeis.
Pouco se sabe destas ruas Não preciso eu saber O sabor que dela sobra A dor da alma dobra Traz um novo amanhecer.
Caminhei nelas em tantas luas Conheço bem cada pedrinha Observei-a quando nuas Limpei-as sempre sozinha.
Fui um grande zelador Sempre as tratei com todo amor Sempre foram minhas ruas Cada uma das duas Cobertas de esplendor
Penso eu na noite cortante Em que o frio açoita meu ser O quanto são importantes As ruas do meu viver?
Os ladrilhos que as compõe São chamados sentimentos Não há quem as sobrepõe Em um momento de sofrimento
Os ladrilhos que as compõe Tem o nome de alegria Não há que se impõe Ao riso que contagia
Os ladrilhos que as compõe Tem sabor de vitória Não há ser que não dispõe Ruas surgidas da glória
Na noite cortante reflito Estas ruas tão bem-vindas Causam por vezes conflitos Nesta vida desvalida Onde os ladrilhos são aflitos Perante desatinos da lida.
Na noite cortante apedrejo O que a mim coube entender As ruas que eu despejo Cada uma irei colher
Lágrimas logradas do mundo Defraudei sem perceber Lágrimas logradas do mundo São as ruas quais vou viver.
Lembro quando era pequeno e a luz ficava acesa Não tinha medo do escuro. Queria apenas contemplar sua beleza. Se eu ouvisse as histórias de “era uma vez”, Não dormia na esperança de te ler no outro mês.
Cresci como exigiu e parei de crê no amor. Foi como perder o chão e fazer frio em abril. Viver em um rio de torpor, tudo branco em anil. Segurei sua mão, naquele ato infantil. Fui sua caça e o predador, o que é servido e o que serviu.
No dia que você se foi, um mal me acometeu. Minha alma secou-se e meu rosto enrubesceu Cada lágrima que chorei Despejei pelo amor seu.
Sempre fora a mais bela Outra igual na Terra não há. Era minha cinderela A dama por quem zelar
Sofri mil terrores, por teu rosto não avistar. É a dona dos amores. Como ti outra não há. Atei-me a fiel esperança De ser ao mundo sua herança Alguém a te representar.
Você mentiu para mim. Disse que jamais me deixaria. Quando estava partindo ao fim. Percebi que para sempre me amaria.
Era o meu belo tesouro, por ti vou além. A terra que a enterra, está também em meu coração. Não importa o que aconteça, tenho cá, tua proteção. Sou e sempre serei seu lindo neném. Mãe. Sempre te amei. E sei que me amas também.
Nasci em uma terra Onde o chão é rachado; Os semblantes maltratados Onde o povo vive de crer.
Na minha terra [Que não é minha] Todo dia tem romaria, O padre reza a ladainha E me dá fé para vencer.
A água que é tão rara Mora dentro do açude. A gente viaja de pau-de-arara Mão cansada e peito rude.
Quando a água despeja do céu Forma a lama bem-vinda. A viúva retira o véu, Em festa a noite finda
Minha terra tem passarinho Com o peito miádo vive a cantar; Canto este que afasta o espinho E lembra o cheiro do mar.
A terrinha ressacada Abriga as mãos sofridas. Não tem remédio para ferida Não há água fonte da vida E comida também não há.
Os trapos que peito cobre São finos, cosidos à mão. Mãos tão calejadas e tão nobres Mãos que acalentam o chão;
A única água que corre É aquela que dos olhos caí. Quando um dos filhos morre Da fome que nunca saí.
Já tentei plantar de tudo, E de tudo, nada nasceu. Não quero sair para o mundo Este lugar também é de Deus. Não quero sair do mundo Aqui é feliz o peito meu.
Os bracinhos afinados Dos tantos filhos que Deus me deu Todos eles foram criados, Na terra onde o sol assola Que é onde cada um cresceu.
Os pés livres e bem andados, Solado nunca viu. O chão quente e árido Calçaram e bem serviu.
A perninha murcha; Seca de tanto andar. Os cabelos feitos bucha Sem ter água para lavar.
A cor dourada que o usufruí Não é ouro, riqueza não há. O tesouro que possuí É o que na terra se enterrará
Aprendi sozinho nesta terra A fome é nossa guerra. E não temos armas para lutar.
Aprendi sozinho nesta terra Minha luta não se encerra. Enquanto a morte não chegar.
Aprendi sozinho nesta terra O que este meu peito berra. Ninguém quer escutar.
É tanta aridez, Falta de sensatez, Que chega a me afogar. Um afogamento doloroso Nem tem meio aquoso Que se possa constatar.
Se chorar criasse rios, Meu sertão seria a terra Mais rica que a serra Onde mais água há.
Se chorar acalentasse a fome, Dos mirrados abdomes Meu sertão seria a terra Que minha tristeza desferra Onde comida há.
Aprendi sozinho nesta terra O medo que em meu peito ferra, È que eu morra sem vê-la prosperar.
Aprendi sozinho nesta terra Que minha vida soterra. A ser feliz, sem reclamar.