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"Palavras lançadas ao vento se perpetuam na alma. Palavras gravadas a punho se perpetuam na mente."
Thaís Milani
Vejo a vida com olhos vivos Olhos que sentem e que falam. Vejo a vida com olhos ansiosos Olhos que desejam e calam.
Possuo no mundo motivos para avidez Seres que me transmitem a sensatez Possuo no mundo mil corações Que surgem em diversas ocasiões
Conheço tantos sentimentos e emoções Partilho tantas vitórias e realizações Conheço cada dia uma nova face do mundo Partilho todo instante o conhecimento oriundo
Aprendi que posso mostrar-me, sem medo. Aprendi que posso apoiar-me em um rochedo Compreendo hoje a real verdade. Jamais haverá no mundo, algo mais puro que a amizade.
Não sou flor que abrolha no quintal de casa; Apenas, peixe que nasce em mar de ressaca, Pássaro que voa no temporal, O sol da meia noite, a aurora boreal.
Um oásis que surge em meio ao deserto Estou longe, mesmo quando estou perto. O choro que brota no carnaval, O riso que escapa no funeral.
A negação de mim mesmo O bem e o mal – o humano animal. Que procura pela vida á esmo E encontra o final – a fonte vital.
Um livro sem história. A palavra sem tradução. Um reino alheio à escória. A sentença e a salvação.
A glória, o medo e raiz. Um rosto, o selo e milagre. A dor, a cura o vinagre. O advogado, o réu e o juiz.
“Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”. Ensaio Sobre a Cegueira;José Saramago
De tristeza em tristeza Acresci a sutileza, Pouco choro, pouco vivo. Muito sonho e realizo. Pensei mil vezes sobre amor, Em todas mil fui malfeitor; Se pensasse doutro jeito Certamente sou mal sujeito Certamente sou Pensador. Liberdades libertinas O amor desvenda e desatina, Atado aos seus cordões Devaneio em dimensões Sou de tantos pensamentos Alma astuta e olhos atentos.
De tristeza em tristeza Acresci a esperteza, Pouco choro, pouco vivo. Muito absorvo e incentivo. Pensei mil vezes no ódio Todas mil do açúcar ao sódio E se pensasse doutro jeito, No ódio e amor de meu peito Mereceria seu respeito? Tu que ouves e que lê A quem venho eu dizer; Se, discorda do escritor. No amor e ódio se seu peito, Certamente é mal sujeito Certamente é Pensador.
Na face ardem todas as estações, Nos lábios sorriso e inúmeras canções. Eu sou o sol. O verão é minha alma, minha [unção.]
Em meu céu há nuvens, de algodão. A brisa sopra forte, espalhando a imaginação. As estrelas são apenas astros, no palco da [emoção.]
Corro em direção à vida, com fios de esperança. De que serviria ter o mundo, sem a alma de criança. Descobri-me ser um invento, de grandiosa proporção. Com mais audácia que o vento, que enfrenta um furacão.
Dentro de meu ser há um inverno, coagindo com o verão. Nos outonos de minha vida, poucas folhas deitaram-se ao chão. A primavera é a primazia que salda minha aflição. O verão é minha alma, ser o sol, minha tentação.
Avante prevejo outra grande construção A morte da liberdade e o fim da canção. Sigo caminhando, sem sentir o chão. Em vida, há formas, ou será imaginação?
O medo traça a Constituição de um novo mundo Cidadãos escoltem as leis, e levantem muros. Professem a mentira de lares seguros; De fortalezas e prisões, circundo.
As placas e os sinais, uma vida tão distante. Marcas de sangramentos, receitas de coagulantes. Punhos cerrados em grades, gritos de espanto. As bancas são vermelhas e os jornais túmulos sacrossantos.
Prédios desmoronam, como as famílias banais. Os escombros soterram crianças e absorvem os ais. Tantas vidas sãs ceifadas e há presságio de muitas mais. Estruturas abaladas, pessoas como navios sem cais.
A negra noite inunda o deserto de secas vidas. Os olhos profundos, inseridos em um mundo que trucida. Escravos químicos, sem algemas, vagueando sem direção. Á esmo procuram quem lhes dê vida e arranque a maldição
Sarcófagos abrigam jovem Reis, que morreram na guerra. Um inimigo invisível, invadindo toda Terra. Nações sem governo, abastecidas de dor. Corpos sem leitos, desejo deflagrador.
Descansam sob o chão frígido e lacrimejado Sonhos de uma grande e pávida multidão; Regados à dor, crescendo pranteados. Nutridos pela dedicação.
Avante prevejo uma muralha imensa, a grande proteção. Mas, o inimigo pelo qual se trava a batalha suplantou o coração. Ela não resguardará o homem, de seu destino, de sua ignorância. Não há o que vença quando o oponente é um desatino, cujo nome é ganância.
[O fim] Um dia à tarde, quando andava no Pelourinho. Encontrou-se com um moço, de terno e colarinho. Percebeu então Olíria, que queria algo maior. Mais alto que o Elevador Lacerda ou o Dique de Tororó
Olíria pôs perdidamente a refletir Como obter tudo que cobiçava alcançar? Percebeu que era bela, e podia isso usar. Bastava apenas ser esperta e fingir
Errou. E de veras por falta de inocência Logo isso que diziam ser, a sua essência, Andava só, e não sabia para onde ir, onde andou. Vivia por prazer, e vivia de querer, só querer.
Era uma doce menina, esta tal de Olíria. A Bahia lhe ensinara, e ela sempre sorria. Foi assim, com doçura e alegria. Que encontrou o moço que por ela morreria.
Mas era paupérrimo, o filho de D. Francisca. Também belo, como outro não há na Bahia. As meninas da cidade, o adoram até quando pisca. Todavia, para a bela Olíria, o moço nem existia.
Olíria, o lírio, vendera a alma e a pureza; O que buscava era apenas dinheiro e riqueza. Há... Olíria, por que tanta ganancia e tanta fraqueza? O único amor que conhecia era à luxúria e beleza.
Então casou-se com Arlindo, que de lindo nada tinha; Possuía poder, que provinha de jogatinas. Vivia como rainha, e mandava por mandar. Mas a noite, quando sozinha, sentia falta de amar.
Sentia-se incompleta, a praia sem mar. Um choro interno e contínuo, sem uma lágrima derramar. Ponderou e percebeu que nada mais tinha a impetrar Chegara ao topo da vida, era hora de retornar.
A noite cobriu o céu, sem uma estrela para enfeitar. Olíria, o lírio de Boa Esperança, retirou o anel, de seu dedo anelar. Tomou uma pequena maleta, que Rosilda, ajudara-a preparar. Guardou ali seus sentimentos, a solidão e o desejo de amar.
Viajou. De volta à terra que nascera para uma última missa rezar. Na Igreja de Santa Clemência, fez sua confissão. O padre viu-a com olhos humanos, concedeu-lhe o perdão. Poderia agora morrer, para enfim descansar.
De fato Olívia viveu muitos verões a se contar. Voltou a ser Olíria de Boa Esperança, que olhos fazia brilhar. E quando partiu da vida, levou com sigo a experiência. De ser santa e humana, agora é chamada Santíssima Olíria Clemência.
[A fuga] Era uma doce menina, esta tal de Olíria. Apenas alguém discordava, D. Maria. Uma senhora mestiça, afeiçoada pela feitiçaria. Que dizia ver em Olíria Clemência, arrelia.
Olíria mal suspeitava, que fora descoberta E que traria tanta tristeza, para mãe Alberta. Olíria mal suspeitava, do que viria a seguir. Encontrara enfim um jeito de fugir;
Seu Agripino, um velhote leviano. Propusera um acordo, que mais parecia um engano. Levaria Olíria Clemência, para São Juliano. O mais conhecido convento, daquele povo baiano.
Olíria intimidou-se a tratar com o senhor Mas sabia que precisava de um bom logrador Alguém que ajudasse a escapar do terror Que estivesse disposto a leva-la à Salvador.
Quando a noite virou dia Olíria levantou-se, e nada houve de gritaria Mal se despediu da família, coração acelerado do peito fugia. Era tanta sede de vida, que nenhum um obstáculo saciaria.
E quando o lírio de Boa Esperança passou pela cidadela Viam-se olhos tristes de meninos, que choravam na janela. Na Igreja de Santa Clemência, todos clamavam por ela. Vai-se ao longe Olíria, a alma pura e a moça bela.
Olíria não queria ser santa, nem tão pouco era. Queria mesmo ser feliz, viver em outra esfera; Iria prostrar-se em um altar da luxúria Ninguém a veria como um anjo de alma pura.
O lírio de Boa Esperança deflorara sem amor Perdera o aroma suave, deixara de ser flor. Os campos quais percorria, traziam-lhe vigor. Sentia-se filha da terra, amante de Salvador.
Não havia mais Olíria Clemência Somente a Baía de Todos os Santos. Que a presenteavam, cada um com seu manto. Junto á liberdade perdeu-se santidade, perdeu-se a inocência.
O toque do ar, a água e o povo; Tudo era belo, tudo era novo. Nada de Santa Clemência ou de Antenor Cada dia que vivia era melhor que o anterior.
[A apresentação] Era uma doce menina, esta tal de Olíria. Pequena em estatura, repleta de formosura. Pensava grande, mais alto que a colina Escura. Lá da cidadela que residia, encantadora era Olíria.
O pai, homem ferrenho e pouco acalentador. Nada possuía na vida e perdera também o amor Era fiel, vigoroso e muito trabalhador. Como tal homem no mundo, jamais viu-se outro Antenor
Acordava cedo e dizia: Apresse-se menina, a noite já virou dia. Puxava-lhe pelo braço acanhado, resmungando. Do quarto abafado, trazia-a arrastando.
Triste vida a da menina; pobre Olíria. No entanto a garota, da vida somente ria. E pensava consigo mesma: Hoje sou apenas Olíria, Um dia eu me vou e terei minha alforria.
Ah... Quanta inocência, possuía a criança. Se soubesse ao menos regar a flor da esperança Se soubesse ao menos, que para sua prisão na há fiança. E que seu nome é Olíria. O lírio de Boa Esperança.
Quando a menina passava, todos se alvoroçavam. O povo da cidadela admirava a beleza O moço da padaria, rapidamente fazia a mesa. Já a moças da esquina, de corpo de fora choravam.
Mal sabia Olíria, que todos a invejavam. Queriam ser como ela, em todo seu rebolado. Uma forma tão discreta, de mostrar o outro lado. Aquele que sempre escondia de todos que a olhavam.
Os cidadãos de Boa Esperança admiravam a complacência Via-se nela, a linda Olíria, tão grandiosa decência. Que o Padre, da Igreja de Santa Clemência Chamou para a missa rezar, e assim deu-se o nome de Olíria Clemência.
Clemência era o que pediam os rapazotes de Boa-Esperança Que corriam para Igreja, com olhos brilhantes de criança. Aplumados como pedia a circunstancia. Enquanto Olíria reagia com sutileza e bonança.
O lírio de Boa Esperança era branco como o leite O cabelo escorrido da cor de um novo azeite Olhos de luxúrias, uma cama que não há que não deite. Um corpo aceso, para que toda imaginação se deleite.
Olíria era a tradução do pecado em forma angelical De seu olhar emanavam, o bem e o mal. Dentro dela enclausurava-se o melhor carnaval. Dentro dela enclausurava-se o anseio carnal.
Traços, riscos e pontos. Escrevo no livro do coração No rosto medo e espanto Nas mãos gotas de sensação.
Olhos tão aflitos e imersos Nas palavras soltas da imaginação. No papel frases e versos. As lágrimas de emoção.
Assisto o trem que parte E retorna à estação Ontem era cedo e hoje é tarde Corro em busca de proteção
Um trem sem passageiros Preenchido apenas de solidão Pelo caminho incerto e estrangeiro Vagueando de vagão em vagão
Tivera eu medo, de tomar essa direção! Os caminhos que percorri, nos trilhos estão. A vida é uma carga, sem dimensão. Que peregrina no vale e também no sertão.
Traços, riscos e pontos. Vão tomando proporção. Vai-se ao longe o trem de tantos. No vazio de sua imensidão.